Prof. Dr. JAYRO LUNA

Prof. Dr. de Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e Teoria Literária

Doutorado e Mestrado pela FFLCH/USP

Poeta Premiado do Concurso Projeto Nascente I e II (USP / Abril Cultural)

Criador do Conceito de Metamodernismo e da Teoria do Neo-Estruturalismo Semiótico

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Em "A Chave Esotérica de Fernando Pessoa: Abordagem Numerologica, Astrológica e Cabalística", Jayro Luna apresenta uma leitura dos segredos esotéricos da poesia pessoana. Nessa obra vemos como a ortografia diferenciada das palavras indica valores cabalísticos nos poemas, como o Mapa Astral de Camões se relaciona a uma parte do livro, como a série de números de Fibonacci ajuda a explicar a organização da obra. Estas e outras surpreendentes revelações acerca deste que é um dos mais enigmáticos livros da literatura portuguesa. Na leitura de "A Chave Esotérica de Fernando Pessoa" se abre toda uma estrutura harmoniosa, coesa e criativa feita pelo gênio de Fernando Pessoa, de modo que vários níveis do poema, da forma do verso às referências ocultistas, tudo parece fazer parte de um sistema magnífico que está agora ao seu alcance.

 

"O Neo Estruturalismo Semiótico é um método de análise criado por Jayro Luna que valoriza a capacidade criativa e inventiva do crítico diante da obra. O crítico não mais deve se postar como aquele dotado de um método infalível de análise (Sociológica, Formalista, Estruturalista, Estilística, Lingüística, Semiótica, etc.) mas reconhecer de antemão a falibilidade em potência do método e buscar na obra uma relação original entre a estrutura da obra e o mundo de símbolos culturais (sejam literários propriamente ou extraliterários: religiosos, políticos, artísticos, etc.) para inserir uma relação arquetípica e de ressignificação do símbolo e da obra. Desse modo, por esse método, se acredita que a literatura interage com outras formas culturais no âmbito da construção e significação dos símbolos. Seus principais fundamentos teóricos estão correlacionados com a Semiótica de Peirce, a psicanálise de Jung e o estruturalismo, inclusive antropológico."

 

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[OS EVANGELHOS DO ROCK]
Uílcon Pereira


Jairo, parabéns pela sua luta na poesia. O seu Bagg’Ave e o seu Ópium são dois evangelhos do rock materializados em poesia. Aqui em Marília estou dando aos alunos alguns de seus poemas e solicitando que eles façam interpretações. O tema da contracultura e do rock é um grande atrativo para que os jovens discutam a poesia, uma vez que você não faz só a poesia do rock, o que você faz é mais, é a poesia no rock. Em “Cavaleiro Menestrel Errante”, por exemplo, que me faz lembrar um pouco a figura dum quixote contemporâneo, pós-moderno, podemos ver essa coisa (1). Em “Disco Riscado” o dístico final que fecha seu soneto inglês (“E aquela canção do outro lado / - Side B - do disco riscado”), ali não se fala, penso, da canção esquecida no outro lado do disco, mas se fala da poesia, a poesia é nessa nossa sociedade, aquilo que está do outro lado do disco, e ainda, por cima, um disco riscado que repete sempre as mesmas idéias e frases. É preciso vencer o risco, correr o risco para poder dar seqüência à melodia. A poesia é o futuro da humanidade (2) e esse futuro está do outro lado do disco-realidade.
O palíndromo em “Rock” (3) e o palimpsesto em “Rock Barroco” abrem uma boa discussão acerca dos valores da poesia atual, a quebra da tradição, o passado que emerge na leitura do presente. Isto também pode se ver em “Cantiga Moderna” em “Ruínas” e em outros vários exemplos.
Sua poesia consegue sobreviver da matéria orgânica em decomposição do underground, é como um vírus mutante que se revolta contra o meio e começa a devorá-lo antropofagicamente. É como uma implosão do confessionário (4). Você vai esquartejando o horizonte de eventos abrindo novas possibilidades, resgatando a vida e a liberdade criativa do poeta.
E aí você faz aquele rascunho de garrafa de coca-cola saltar do meio do seu livrote como se quisesse inundar a mente do leitor da mais pura reação de surpresa ante a possibilidade concreta da poesia em revolucionar a percepção da realidade, ou naquele “Rock’n’Roll” numa grande jogada ao modo do Anastácio Ayres de Penhafiel desentravando de lá do meio da expressão inglesa um coro contínuo que fica ecoando em sinestesia pelos olhos e pelos ouvidos e, por fim, pelo nariz e pela boca.
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Uilcon Pereira (1956-1996), carta manuscrita enviada em 14/abril/1986, escrita em folha de sulfite dobrada.
Em Outubro de 1986, Jayro Luna publicou uma matéria sobre a obra de Uilcon Pereira no folhetim Mimeógrafo Generation, que passou a figurar como referência em quase todas as orelhas dos livros publicados por Uilcon.

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Notas:
1.Parece ser uma alusão ao personagem de Uilcon Pereira no Livro de Biúte (Scortecci, 1986).
2.Veja em Ruidurbano: entre/vistas, Macondo, p. 99.
3.Na edição de 1984, o poema em Bagg’Ave se chamava “Rock” e era um único verso em palíndromo colocado como um quadrado mágico: “ÉASAE / AMORA / SOLOS / AROMA / EASAÉ”. Na edição de 2006 o poema se chama “Eco Palindrômico” e é bem mais extenso, com várias outras referências.
4.Referência ao título do livro de Uilcon Pereira: A Implosão do Confessionário (1984).

Resenha:

Caio Pátroclo tem a estranha sensação de que tudo o que está vivendo já aconteceu de alguma forma em algum lugar antes. Esse constante déjà vu leva o herói (ou anti-herói?) a se envolver na busca constante do entendimento das causas dos estranhos acontecimentos que se sucedem em sua vida sem que tenha controle de nada: amor, sexo, uma alienante participação numa organização criminosa, roubos, contrabando internacional... Até que ao final a verdade se revela de forma surpreendente e da qual Caio Pátroclo tanto tentara, no seu íntimo, fugir e recusar .

 

Trecho:

Saindo do Caravelle, chamaram um táxi e tocaram pela cidade, passando pela catedral católica e dirigindo-se ao boulevard. Não houve indicação de que tivessem sido seguidos, e tampouco existia qualquer coisa sinistra quanto ao lugar para onde se dirigiam. Tratava-se de conhecido bar e restaurante, com cozinheiro francês, uma orquestra especialista em Neil Sedaka, Paul Anka entre outros, e uma série de moças, não mais belas ou mais virtuosas que suas congêneres em outros pontos da cidade. Conforme Acamas Avallone costumava falar, "as toalhas de mesa são limpas, a comida, aceitável, as bebidas, legítimas, e com pouco dinheiro, onde se pode ir nesta cidade e que seja um lugar melhor que esse?" Além disso, como qualquer outro clube, dispunham de seu próprio serviço de segurança, um trio de jovens educados e fortes, que sempre se sentavam nos mesmos lugares diante da porta, tinham, preferência junto às moças do bar e vigiavam os fregueses com cínico desdém.

Os quatro recém-chegados pediram bebidas e ali estiveram durante uma hora, conversando com as pequenas e ouvindo a música saudosista da orquestra. Depois disso, Astor Astíalo resolveu ir embora e fazer ainda algum trabalho de investigação numa outra região, antes de deitar-se. Edson Sarpedone, que ainda se sentia indisposto por causa de uma forte gripe que há poucos dias o acometera e que só agora se recuperara, concordou em sair com ele, e pagou a despesa de ambos. Saíram, e na porta principal pediram ao porteiro que lhes conseguisse um táxi. O porteiro os deixou de pé na calçada e andou uns dez metros até a esquina, a fim de chamar um veículo que costumava estacionar por ali. A narrativa do porteiro na polícia fora bastante simples, e se ateve a ela durante as oito horas de interrogatório na polícia. Antes de chegar à esquina, ouviu o ruído de um carro em alta velocidade pelo boulevard. Voltou-se para olhar o restaurante e viu um Opala preto quase à altura dos dois homens na calçada. Houve uma rápida rajada de tiros, pareciam de metralhadora e os dois homens caíram. O porteiro se atirou ao chão e o automóvel passou chispando por ele, com seus ocupantes gritando palavrões. O porteiro levantou-se e correu para a escada diante da entrada, onde encontrou Astor Astíalo morto, bom policial e fraco poeta,  Edson Sarpedone sangrando no peito e vomitando sangue. "O coração as vísceras torneiam, o leão morrendo, muge, inda se debate; assim vencido" - foram as palavras que murmurava.

Os poemas épicos da primeira geração romântica (Confederação dos Tamois, de Gonçalves de Magalhães e O Colombo, de Manuel de Araújo Porto-Alegre) são analisados e reavaliados pela crítica de Jayro Luna, buscando demonstrar que existem elementos nesses dois poemas épicos que têm escapado à crítica literária em geral. A validação desses elementos implica numa recolocação dessas obras como importantes para a compreensão da formação de uma imagem nacional a partir do período do segundo império.

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O Manuel Secreto de Rapsodomancia é um livro de poesia hermética com elementos de Neobarroco e de Metamodernismo. Poemas repletos de referências intertextuais, simbólicas e semióticas. A Mitologia babilônica, assíria, greco-latina e cristã comparecem num determinado estrato compondo uma ordem implicada, já à superfície o que se vê é a ordem aparente, fundada num constante processo metapoético. A obra se divide em três grandes partes, lembrando um pouco a estrutura da Divina Comédia, porém, aqui, as partes obedecem à realidade simbólica diversa. A Rapsodomancia, arte adivinhatória é aqui um ponto determinante da obra, porém, o que na Rapsodomacia é obra simulada do acaso, aqui é resultado da ordem implicada, intrínseca e esotérica.

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